O Bem triunfa quando os homens de Bem se apresentam*

O Bem triunfa quando os homens de Bem se apresentam*

Em 2012, existiam no Brasil 11,4 mil entidades sindicais, representando mais de 20 milhões de trabalhadores. Na realidade, estas entidades defendem os direitos de um contingente muito maior de pessoas. Por força de lei, as conquistas advindas das negociações salariais, por exemplo, são estendidas a todos os profissionais que fazem parte da mesma categoria, indistintamente, mesmo que não sejam sindicalizados. Além disso, os sindicatos atuam na defesa jurídica e profissional dos trabalhadores e oferecem outros serviços de assistência social aos seus filiados, estendendo sua ação sobre as próprias necessidades das famílias de seus representados.
 
Podemos afirmar que a relação capital trabalho se mostra tão mais madura e equilibrada quanto maior o grau de organização dos trabalhadores.
 
A organização dos servidores públicos como classe trabalhadora, no entanto, sempre andou à margem dos outros segmentos econômicos. No Brasil, apenas com a Constituição de 1988 consagrou-se o direito à organização sindical para o servidor público estatutário, apesar do sindicalismo no setor público já existir através das “associações de servidores”, formalmente com natureza civil, de caráter beneficente.
 
O sindicalismo no serviço público, ainda que em sua juventude - e com todos os defeitos próprios dessa juventude -, se mostra a cada dia mais necessário. Da Constituição de 88 pra cá, não foram poucos os direitos retirados do servidor. Adicionais por tempo de serviço, apostilamentos, férias prêmio, entre tantos outros benefícios, foram extintos. As regras para aposentadoria do servidor são alteradas de tempos em tempos, sempre em desfavor do trabalhador. Nesse governo mesmo, foram regulamentados em 2012 os fundos de aposentadoria, entregues ao grande capital nacional sem qualquer garantia ou controle dos servidores. 
 
A falência do modelo solidário de previdência, a regulamentação do direito de greve do servidor ora em discussão e, não muito adiante, o afastamento da estabilidade do servidor, nos custará caro no futuro. Nossas perspectivas como classe não são das melhores, quanto mais quando percebemos que o índice de sindicalização dos servidores declina a cada ingresso de novos colegas.
 
Filiar-se a um sindicato, no caso dos Analistas Tributários da Receita Federal do Brasil, vai além de uma opção para quem enfrenta a tudo e a todos. Além do cenário adverso ao conjunto dos servidores, em nosso caso específico temos desafios ainda maiores, inseridos que estamos numa Carreira atípica e problemática, que nos coloca em pé de guerra com outro cargo onde estão, ao mesmo tempo, adversários e administradores do órgão ao qual servimos.
 
Tudo o que conquistamos como categoria passou inegavelmente pela ação de nossas antigas associações, como a Astten, e depois pelo Sindtten, hoje Sindireceita. Gostemos ou não de seus diretores, concordemos ou não com sua conduta, importa refletir sobre os efeitos da desistência pessoal. É mesmo indicado lavar as mãos e entregar nosso futuro a quem desaprovamos os métodos e as condutas?
 
Ganhar ou perder os embates internos é o que menos importa. Sucumbir à vontade da maioria é parte do jogo democrático, sacrifício e obrigação de quem se propõe ao bom combate. O que não podemos admitir, e que nos cabe refletir, é o dar de ombros.
 
Quem se omite não toma as rédeas de sua história. Devemos manter as esperanças em um futuro melhor e cuidar de construir esse futuro a partir de hoje. 
 
No dia 02 de outubro teremos eleições gerais no Sindireceita. É a oportunidade de refletir sobre as propostas de cada candidato, discernir entre suas visões de futuro para nossa Carreira e votar conscientes da importância desse ato.
 
A você que está desfiliado e a você que ainda não se filiou, saiba que ainda dá tempo de participar das próximas eleições sindicais. Até o dia 05 de setembro, no mais tardar, entregue a ficha de filiação (baixe) ao Delegado Sindical de sua Unidade de lotação ou a envie pelo correio para SINDIRECEITA  - SHCGN 702/703 – Bloco E – Loja 37 – Asa Norte Brasília/DF CEP: 70720-650.
 
No dia da votação, imprima seu contracheque de setembro no site Siapenet, com o primeiro desconto da mensalidade do sindicato, e apresente-o à mesa eleitoral. Isso garante seu direito de votação.
 
Participe, vote, decida.
 
* Parodiando "O mal triunfa quando os homens de bem se omitem" . Frase de J. Edgard Hoover, interpretada por Leonardo Di Caprio no filme J. Edgard, de Clint Eastwood, 2011.
 
 

Comentários (3)

Augusto Cesar Cardoso

26/08/2013
E se o desconto não acontecer? O filiando que depositar o valor da contribuiçao na conta do sindicato poderá apresentar o recibo do depósito à mesa eleitoral e solicitar seu voto em separado? à propósito, por que as fichas de filiação e atualização cadastral enviadas junto com a procuração para executar os 28% estão com os envelopes de resposta endereçados a Recife?

Mari

26/08/2013
Boa tarde Augusto.
Essa questão do depósito é um bom questionamento para ser feito à Comissão Eleitoral, inclusive com a sugestão de que saia uma orientação. O email é cen2013@sindireceita.org.br

MARIA LIEGE DE SOUSA LEITE

26/08/2013
Caro Augusto,

Essa pergunta, referente ao envio da ficha de filiação/atualização de cadastro à DS Recife, também nos foi feita pelos colegas de Brasília.

Não tivemos resposta e propusemos que esperem os próximos acontecimentos...

No meu entender, a ficha de atualização deve ser encaminhada à DS do filiado e esta a envia à DEN. Ademais, acabamos de fazer a atualização cadastral de todos os filiados em razão das eleições e enviamos os dados atualizados à DEN.
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É, no mínimo estranha essa exigência, pois, com certeza, a ficha não é necessária para realização dos procedimentos processuais que ensejarão o futuro pagamento dos créditos advindos da ação dos 28,86%.
E se o beneficiado com a ação não for mais filiado, o que interessa à DS Recife essa atualização???
É estranho.

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