Valorização da Carreira Auditoria

Valorização da Carreira Auditoria

Nos meandros da RFB - Observatório em revista - Edição 4

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.
Johann Goethe
 
Por diversos anos, vimos discutindo e buscando a matriz salarial condizente com a importância dos Analistas Tributários no âmbito da Receita Federal do Brasil. Lutamos basicamente contra a cultura organizacional do órgão, cujos cargos chave estão nas mãos de Auditores Fiscais que entendiam (ou entendem) ser conveniente o distanciamento dos Analistas Tributários a qualquer preço. Como resultado, toda a Carreira Auditoria da Receita Federal paga por isso.
 
Outrora paradigma quanto à remuneração percebida, o Auditor Fiscal está atrás de 22 dos cargos similares nos Estados e Municípios (vide tabela). Já os Analistas Tributários estão 107ª posição dos cargos mais bem remunerados do Executivo Federal. A desunião dos cargos e a política remuneratória do Governo levaram a isso, mas é hora de mudar.
 
O Governo impõe barreiras rotineiras reforçadas pela crise econômica que ora enfrenta e a intenção de adoção de políticas gerais de reposições salariais para os servidores públicos federais.
 
Vale lembrar que na última “negociação geral” foi-nos imposto o percentual de 15,8% dividido em três parcelas anuais (percentual inferior ao índice acumulado do IPCA de janeiro de 201 0 a janeiro de 2013), infligindo-nos perda real de remuneração. A situação fica ainda pior com a inflação de 2013, 2014 e a esperada para o ano de 2015.
 
Já nos Estados e alguns municípios, as carreiras da Administração Tributária foram reestruturadas para atrair e manter os melhores quadros. Essa política tem se mostrado eficaz quanto aos resultados de arrecadação e tem atraído inclusive servidores da carreira Auditoria da Receita Federal do Brasil, que prestam concurso para esses cargos e desfalcam nosso já exíguo quadro de servidores.
 
 
Em momento de crise, não faz sentido deixar precárias as condições de funcionamento do principal órgão arrecadador federal, cujo esforço é imprescindível para fazer frente à demanda de recursos do Governo. Os cortes orçamentários no custeio e investimentos da RFB geram insatisfação nos servidores que se veem desvalorizados e nos gestores que veem prejudicados projetos de curto e médio prazo.
 
Em socorro a esse estado de coisas, algumas alternativas estão postas. A primeira delas está inserida na PEC nº 391/2014, que estabelece teto e piso salarial condizente aos cargos da Carreira Auditoria. Outra vem na forma de bônus de estímulo à atividade de arrecadação, com valores pagos trimestralmente.
 
O tratamento a ser dado a ambas as propostas deve ter em vista os ganhos de curto, médio e longo prazo que proporcionam, pois servem de verdadeiro estímulo aos servidores e inserem-se no plano de enredar todos os esforços para alcançar além dos resultados necessários à demanda governamental.
 
Todavia, isso não se dará naturalmente. É necessário o despertar das categorias de Analista Tributário e Auditor Fiscal para superar picuinhas históricas, mudar a cultura corporativa da RFB e mobilizarem-se, senão conjuntamente, ao menos concomitantemente em um mesmo propósito: a valorização dos cargos da Carreira Auditoria da Receita Federal do Brasil e do órgão onde atuam.
 
 
Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.
Albert Einstein
 
João Jacques S. Pena
 
 
Imagem: Shutterstock
 

Comentários (2)

Adalberto Diniz

23/07/2015
Solicito confirmar links, principalmente o primeiro referente remuneração percebido pelos auditores.

Mari

23/07/2015
Boa tarde Adalberto.
Verifiquei os links e eles abriram normalmente. Pode ser algum bloqueio de acesso local.
Se preferir, as tabelas estão inseridas na matéria publicada na revista 4.
http://www.yumpu.com/pt/document/view/39434000/observatorio-do-analista-em-revista-4-edicao
A matéria está na página 20.
Se ainda assim não conseguir acesso, avise-nos, por favor.
Abraço

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